China e Coreia do Norte inauguram ponte fronteiriça concluída há 12 anos

China e Coreia do Norte inauguram ponte fronteiriça concluída há 12 anos

Uma nova ponte rodoviária entre a China e a Coreia do Norte entrou em funcionamento, 12 anos após a conclusão das obras, numa iniciativa destinada a reforçar o comércio entre os dois países.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Maxim Shemetov - Reuters

Vários camiões, alguns decorados com bandeiras norte-coreanas e outros com bandeiras chinesas, atravessaram nos dois sentidos a estrutura de betão, com quatro faixas de rodagem e 3.026 metros de comprimento, sobre o rio Yalu, na cidade chinesa de Dandong.

"É fantástico", afirmou uma mulher que assistia à inauguração, citada pela agência France-Presse (AFP), entre centenas de curiosos, acompanhada pelo companheiro e pelo cão.

"Isto arrastou-se durante dez anos. Vai ser ótimo para o comércio", acrescentou, sem querer identificar-se.

A ponte ficou concluída em 2014, mas a abertura foi sucessivamente adiada devido a vários problemas, incluindo a ausência de estradas de acesso e de instalações alfandegárias do lado norte-coreano, segundo a agência sul-coreana Yonhap.

Uma mulher que assistia à inauguração com a mãe e um bebé recordou que o início da construção gerou grande entusiasmo no mercado imobiliário local.

"Foi devido à ponte que as pessoas compraram apartamentos aqui. Quando os compraram, os edifícios eram novos. Agora parecem velhos por fora", afirmou, também sem se identificar.

"Construíram-se tantos prédios, mas ninguém vem viver para aqui", acrescentou a mãe, que espera que a abertura da ponte possa inverter a situação. "Muitas pessoas de Dandong fazem negócios com a Coreia do Norte. Antes era difícil ir até lá. Agora é possível", afirmou.

A nova infraestrutura junta-se às passagens existentes ao longo da fronteira de cerca de 1.400 quilómetros entre os dois países, que se estende da baía da Coreia, a oeste, até à Rússia, a leste.

A ponte deverá substituir gradualmente a antiga Ponte da Amizade Sino-Coreana, cuja capacidade de transporte é limitada.

Citado pela AFP, Lim Eul-chul, investigador especializado na Coreia do Norte da Universidade de Kyungnam, na Coreia do Sul, prevê que o tráfego de mercadorias possa aumentar "três ou quatro vezes".

A antiga ponte, construída na década de 1940, dispõe de espaço para apenas uma faixa de circulação rodoviária e foi danificada durante a guerra da Coreia, tendo sido reparada várias vezes.

Segundo o investigador, a idade e as limitações da estrutura dificultavam particularmente o transporte de cargas pesadas, como maquinaria industrial e materiais de construção.

"Trata-se de um avanço importante", considerou.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, afirmou, numa intervenção por videoconferência citada pelos órgãos de comunicação estatais, que a nova ponte permitirá "reforçar significativamente a cooperação económica e comercial entre os dois países".

A infraestrutura deve também "facilitar os intercâmbios entre as populações e estreitar os laços de amizade", acrescentou.

A China continua a ser o principal apoio económico e diplomático da Coreia do Norte, sujeita a várias sanções das Nações Unidas, apesar da recente aproximação de Pyongyang à Rússia.

A abertura da ponte sobre o rio Yalu ocorre cerca de um mês depois da inauguração da primeira ponte rodoviária entre a Coreia do Norte e a Rússia, apresentada por Pyongyang como um sinal do reforço das relações bilaterais.

A nova ligação integra ainda uma série de medidas recentes destinadas a restabelecer as comunicações entre a China e a Coreia do Norte, interrompidas durante a pandemia de covid-19.

Em março, a companhia aérea chinesa Air China retomou os voos diretos entre Pequim e Pyongyang, após seis anos de suspensão.

No mesmo mês, os dois países restabeleceram a ligação ferroviária de passageiros através de Dandong, interrompida desde 2020.

Embora a China tenha reaberto completamente as suas fronteiras em 2023, o acesso à Coreia do Norte, governada há três gerações pela dinastia Kim, continua sujeito a fortes restrições.

Uma das mulheres que assistiu à inauguração recordou que, até agora, os habitantes de Dandong utilizavam binóculos para observar Sinuiju, a cidade norte-coreana situada na margem oposta do rio.

"Agora talvez possamos ir visitar, passear um pouco e ver como é do outro lado", afirmou.

 

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